sábado, 25 de setembro de 2010

Beatriz Hirata (eu) disse:


"E eu sigo em frente. Quando você olhar pra trás, arrependido de ter me perdido, mal saberá que eu estarei lá na frente, sem me arrepender de ter te esquecido."

Aula de Vida



Nunca imaginei que eu encontraria sobreviventes da bomba de Hiroshima, mas encontrei. Também nunca imaginei o quão grande seria a dor que eles carregam, mas agora eu sei. E também nunca pensei o quanto isso me feriria, mas me feriu. Não achava que isso mudaria a minha percepção da vida, mas mudou.
Tocou-me de uma forma particular e dolorosa que mexeu com a minha cabeça por uns bons dias. Por algum tempo, eu só conseguia pensar na destruição e na forma que o ser humano se julgava capaz-e muitas vezes no direito- de destruir a vida de outras pessoas. Depois de um tempo, eu percebi que estava pensando de uma forma meio incorreta. Como é que depois de tudo que eu ouvi dessas duas pessoas, eu ainda conseguia pensar que eram milhares de vidas? Como eu conseguia pensar em uma massa de pessoas e não nelas individualmente.
E eu parei e pensei. Eu não podia pensar nas vítimas como uma massa de pessoas, porque elas não eram isso. Era um grupo de pessoas individuais, com sentimentos, com personalidades, com um futuro destruído. Pessoas que tiveram suas vidas alteradas, que perderam pessoas queridas, que lutam contra doenças e que foram carbonizadas.
As dores deles não são apenas físicas. Eles não lutam com apenas com doenças, com marcas no corpo. Eles lutam com os gritos que ficaram gravados na mente, com as cenas que jamais serão esquecidas e com as feridas que não se fecham no coração. Não me dói isso da mesma maneira que dói neles. Mas mesmo assim dói. Dói saber que alguém teve sangue frio para fazer algo que destruiu a vida da de tantas pessoas de uma só vez.
Ouvir da boca daqueles sobreviventes o que se passou no dia da explosão da bomba de Hiroshima, foi uma oportunidade única. Foi lindo e foi assustador. Foi lindo ver a energia positiva que aquelas pessoas tem apesar de tudo! O positivismo e a forma que me fizeram ver que, mesmo o maior problema, deve ser tratado com uma boa dose de bom humor, porque é só ele que faz com que a vida valha a pena. Me fez ver que o sentimento de vingança só gera mais vingança e violência e que devemos sempre buscar a paz.
Acabei aprendendo um monte de coisas sobre a vida. Uma delas é que a gente deve sempre viver com bom humor, porque ele é a coisa que nos estimula a continuar tentando consertar as coisas quando elas estão uma bagunça. Aprendi que não podemos aprender coisas sobre a vida somente enfiando as caras nos livros. Mas principalmente, eu aprendi que sempre devemos buscar pela paz. Porque é ela que vai nos salvar dos males do mundo.
Beatriz Hirata

domingo, 19 de setembro de 2010

Remar, re-amar, amar.



Já não sei dizer se ainda sei sentir. O meu coração já não me pertence, já não quer mais me obedecer!Parece agora estar tão cansado quanto eu. Até pensei que era mais por não saber que ainda sou capaz de acreditar. Me sinto tão só e dizem que a solidão até que me cai bem. Às vezes faço planos, às vezes quero ir para algum país distante e voltar a ser feliz! Já não sei dizer o que aconteceu se tudo que sonhei foi mesmo um sonho meu. Se meu desejo então já se realizou o que fazer depois, pra onde é que eu vou?
Eu vi você voltar pra mim; Olha, eu sei que o barco tá furado e sei que você também sabe, mas queria te dizer pra não parar de remar, porque te ver remando me dá vontade de não querer parar também.Tá me entendendo? Eu sei que sim. Eu entro nesse barco, é só me pedir. Nem precisa de jeito certo, só dizer e eu vou. Faz tempo que quero ingressar nessa viagem, mas pra isso preciso saber se você vai também. Porque sozinha, não vou. Não tem como remar sozinha, eu ficaria girando em torno de mim mesma. Mas olha, eu só entro nesse barco se você prometer remar também! Eu abandono tudo, história, passado, cicatrizes. Mudo o visual, deixo o cabelo crescer, começo a comer direito, vou todo dia pra academia. Mas você tem que prometer que vai remar também, com vontade! Eu começo a ler sobre política, futebol, ficção científica, o que for. Aprendo a pescar, se precisar. Mas você tem que remar também. Eu desisto fácil, você sabe. E talvez essa viagem não dure mais do que alguns minutos, mas eu entro nesse barco, é só me pedir. Perco o medo de dirigir só pra atravessar o mundo pra te ver todo dia. Mas você tem que me prometer que vai remar junto comigo. Mesmo se esse barco estiver furado eu vou, basta me pedir. Mas a gente tem que afundar junto e descobrir que é possível nadar junto. Eu te ensino a nadar, juro! Mas você tem que me prometer que vai tentar, que vai se esforçar, que vai remar enquanto for preciso, enquanto tiver forças!Você tem que me prometer que essa viagem não vai ser a toa, que vale a pena. Que por você vale a pena. Que por nós vale a pena.
Remar.
Re-amar.
Amar.


Caio Fernando Loureiro de Abreu

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Uma única palavra: "Adeus"


Lábios sorridentes
Um pedido convencente
Um beijo dado
Um belo par de aliança trocado

Era um sonho realizado
Ou apenas mais um amado?
Era o paraíso
Ou só mais um sorriso?

Duvidas à parte
Olhos confiantes
Abraços não hesitantes
A felicidade à la carte

Erros frequentes
De pessoas carentes
Do carinho à dependência
Mas só depois bate a consciência

Verdades reveladas
Atitudes não aprovadas
Lágrimas caídas
Felicidade corrompida

A última olhada nos olhos
A última palavra, "Adeus"
Sem o último beijo
Sem um único abraço

Olhos fechados
Lábios entre-abertos
A boca anciando o último beijo
O corpo anciando o último abraço

E o coração em pedaços
A boca calada, muda
O corpo em forte colapso
E uma mente sem explicações

Então se entre olharam
Se aproximaram e sorriram
Viram que o pior aconteceu
Mas que a melhor decisão permaneceu

Beatriz Hirata

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Moon.

  Acordei como vento batento levemente no meu rosto. Não havia visto que a porta da sacada havia ficado aberta e que as cortinas, que eram feitas de um tecido fino e brilhante como organza, estavam voando livremente. Não tinha percebido como a lua estava grande, bonita e brilhante e, de uma certa forma, fazia com que a noite parecesse menos sombria e mais bonita.
  Me enrolei no lençol e o deixei dormindo descoberto na cama. Estava dormindo tranquilamente, com certeza não acordaria tão cedo, muito menos tão fácil. O lençol era espesso o suficiente para eu não sentir frio por causa do vento gelado da noite, mas fino o suficiente para eu poder sentir o vento passando por volta do meu corpo.
   Me aproximei um pouco mais da sacada...  já podia sentir o vento batendo delicadamente contra os meus lábios, fechei os olhos e não percebi quando eu entreabri os meus lábios. O vento batia de uma maneira tão prazerosa. Conseguia sentir ele fazer gelar os meus lábios, a ponta do meu nariz. Podia sentir os meus cílios se balançando levemente como se estivessem dançando com o ar. Meus cabelos voaram... junto com isso veio a gostosa sensação de liberdade. A sensação de aquele era o meu momento.
  Juntando tudo isso com a Lua, me fez pensar que aquele era o meu momento, o meu lugar. Não havia outro lugar melhor para estar, muito menos uma posição melhor. Eu não conseguiria olhar a Lua dessa forma se eu estivesse deitada na cama ao lado dele. Não que ele me impedisse de ver a Lua, mas eu não me sentiria bem se ele estivesse ali comigo, do meu lado. A Lua é como o meu ponto de paz... Quando eu olho pra ela, é como se todos os meus problemas acabassem e o mundo parasse por apenas um segundo.
  Nesse um segundo é como se tudo o que eu queria ser em sonho fosse verdade. As vezes eu queria ser um passaro pra poder voar ou simplesmente uma pena para flutuar no vento por muito tempo. Queria ser menor, para ver a Lua como uma coisa mais grandiosa ainda. Mas ao mesmo tempo, que queria ser gigante pra conseguir segurar toda aquela beleza com as minhas mãos.
  - Isso é um sonho?
  Ouvia a voz bem fraca, como quando ele acaba de acordar. Quando olhei para trás, percebi que ele estava deitado me olhando. De repente se levantou e veio caminhando lentamente e preguiçosamente, como se o tempo passasse devagar. Me abraçou por trás e segurou o lençol junto. Me deu um beijo discreto na curva do pescoço.
  - Não é um sonho. Mas mesmo assim, boa noite.

Beatriz Hirata

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Estou tão cheia e tão vazia

Estou tão cheia de sentimentos, mas admito que não tenho nenhuma palavra pra descreve-los. É como se eu estivesse com medo, mas sem a angustia que eu geralmente sinto. É como se eu estivesse feliz, mas sem a sensação de voar. É como se eu tivesse envergonhada, mas sem saber o porque. É como se eu estivesse apaixonada, mas sem saber por quem. É como se o mundo parasse, mas continuasse rodando. É como se eu caisse e ficasse no mesmo lugar. É como se eu estivesse no mesmo lugar e continuasse andando. É como andar sem rumo, mas saber que se quer chegar a algum lugar. É como o seu coração bater sem sangue pra bombear. É como sangrar sem parar, mas não sair sangue algum. É como sofrer por algo, sem ao menos saber o que. É como saber de mais sobre os outros e nada sobre si mesmo. É como se estar angustiado e ainda se sentir bem. É como se sentir livre e preso. É como querer falar e não ter palavras. É como sentir seu coração bater e pedir algo, mas não conseguir ouvir o que ele quer falar. É como chorar sem lágrimas. É como ser apenas mais um e se sentir importante. É como viver e não viver. É ser um morto-vivo.
Beatriz Hirata